Após espera no SUS, pacientes com dor crônica são atendidos em mutirão no Sul de Minas

Após espera no SUS, pacientes com dor crônica são atendidos em mutirão no Sul de Minas Cerca de 100 pacientes com dor crônica que aguardavam há mais de se...

Após espera no SUS, pacientes com dor crônica são atendidos em mutirão no Sul de Minas
Após espera no SUS, pacientes com dor crônica são atendidos em mutirão no Sul de Minas (Foto: Reprodução)

Após espera no SUS, pacientes com dor crônica são atendidos em mutirão no Sul de Minas Cerca de 100 pacientes com dor crônica que aguardavam há mais de seis meses por atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS) estão sendo atendidos gratuitamente na Santa Casa de Alfenas (MG). Os procedimentos são realizados durante um mutirão que reúne especialistas do Brasil e do exterior para ampliar o acesso a tratamentos que, muitas vezes, não são oferecidos na rotina da rede pública por falta de recursos. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram A iniciativa é promovida pela Sociedade Latino-Americana da Dor e conta com a participação de 18 médicos, incluindo profissionais internacionais com experiência em técnicas modernas de controle da dor. Para viabilizar os atendimentos, empresas do setor doaram cerca de R$ 1 milhão em materiais utilizados nos procedimentos. Atendimentos acontecem na Santa Casa de Alfenas EPTV/Reprodução Segundo o anestesiologista Carlos Marcelo Barros, responsável pela Clínica da Dor da Santa Casa de Alfenas, o objetivo é atender pacientes que normalmente não conseguem acesso a esse tipo de tratamento. "Sempre existem pacientes que a gente não consegue tratar por falta de material. E com isso, convidamos os médicos de fora do Brasil e muitos do Brasil também para fazer essa ação com os pacientes", explicou o especialista. Troca internacional de conhecimento Além do atendimento aos pacientes, o mutirão, que acontece até esta terça-feira (23), também promove a troca de conhecimento entre especialistas de diferentes países. A neurocirurgiã Daniele Khor, que vive na Alemanha e participa da iniciativa pela primeira vez, destaca que o encontro permite compartilhar novas abordagens para o tratamento da dor. “Juntou um grupo internacional de especialistas que traz muitas informações novas e terapias modernas para os pacientes. O mais importante são os pacientes, que poderão ser ajudados por essa missão, e os colegas médicos, que terão a oportunidade de acompanhar os procedimentos”, afirma a profissional. O médico mexicano Ricardo Plancarte Sánches, chefe do Instituto Nacional do Câncer do México e pioneiro em medicina da dor, também está presente na ação. Ele desenvolveu técnicas para o tratamento de dores em regiões como a pelve e o cóccix e afirma que os procedimentos podem reduzir significativamente o sofrimento dos pacientes. "É uma grande ajuda para reduzir entre 70% e 80% da dor, sem tantos analgésicos", diz o doutor. Ainda integra a equipe o médico Sudhir Diwan, de Nova York, autor de livros sobre medicina da dor. Para ele, participar da ação representa uma oportunidade de contribuir com pacientes que aguardavam pelo tratamento. "É uma honra, estou muito animado por ser parte disso e honestamente não tenho palavras para expressar meus sentimentos por ser parte dessa missão maravilhosa", afirma Diwan. Esperança de alívio para pacientes Para quem convive há anos com dores intensas, o mutirão representa uma chance de recuperar a qualidade de vida. A maquinista Ivanete Davila de Miranda enfrenta a fibromialgia há 19 anos e descreve a doença como um peso constante sobre o corpo. "É como se fosse um peso. Se você deita de bruços, está um peso em cima da gente. Se deita de lado, eu aperto a perna, os dentes, tanto que eu já tive que fazer implante de dente porque eu aperto demais os dentes dia e noite." Segundo ela, as dores se espalharam com o passar dos anos. "O que aconteceu comigo foi: a dor era num lugar e agora, se perguntar para mim onde não dói... não tem, é tudo." A expectativa também é grande para Fernando Pereira, que há sete anos sofre com dores no joelho. Enquanto aguarda o procedimento, ele mantém a esperança de voltar a viver sem as limitações provocadas pela dor. "A gente sempre vem acreditando que vai melhorar, né? Se Deus quiser, irá." Mais de 100 pacientes recebem atendimento em missão médica contra a dor em Alfenas Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas