Apreensões de canetas emagrecedoras ilegais aumentam quase 300% em MG, aponta levantamento
Canetas emagrecedoras de passageira em ônibus na Dutra, em Caçapava Divulgação/PRF O número de emagrecedores e outros medicamentos para perda de peso apree...
Canetas emagrecedoras de passageira em ônibus na Dutra, em Caçapava Divulgação/PRF O número de emagrecedores e outros medicamentos para perda de peso apreendidos em Minas Gerais disparou neste ano. Segundo dados da Polícia Federal, mais de 3.600 canetas, ampolas e frascos foram retirados de circulação entre janeiro e junho de 2026, o que representa uma alta de quase 300% em relação ao total de 942 apreensões realizadas em 2025. O aumento ocorre em meio à popularização de tratamentos para emagrecer e ao avanço da venda irregular de produtos sem registro ou controle sanitário. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Na última quarta-feira (29), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de cinco novas canetas emagrecedoras. Com isso, o número de medicamentos dessa categoria autorizados no país chegou a 21. Especialistas alertam que a utilização de substâncias sem procedência e sem acompanhamento médico pode provocar problemas de saúde graves (leia mais abaixo). No estado, um dos casos investigados pela Polícia Civil é o de Kellen Oliveira Bretas Antunes, de 42 anos. Moradora de Belo Horizonte, ela está reaprendendo a viver após passar meses internada devido a complicações associadas ao uso de uma caneta emagrecedora adquirida ilegalmente com um vizinho. Internação no CTI Kellen utilizando equipamentos para reabilitação TV Globo/Reprodução A mulher foi internada em dezembro de 2025 após utilizar um medicamento trazido do Paraguai, sem prescrição médica. O quadro começou com dores abdominais, mas evoluiu para pancreatite, insuficiência renal e síndrome de Guillain-Barré. Kellen ficou quatro meses no Centro de Terapia Intensiva (CTI) e agora faz tratamento de reabilitação para recuperar movimentos e autonomia. "Preciso de ajuda para tomar banho, para alimentar, para cortar uma carne. Para poder andar, né? Mesmo que seja com andador, com cadeira de roda, eu preciso da ajuda de uma pessoa, ou do meu esposo ou dos meus filhos", disse. Sequelas após o uso Segundo Kellen, os primeiros sintomas apareceram cerca de um mês depois do uso da caneta, em novembro do ano passado. Ela sentiu dores abdominais, percebeu alterações na urina e começou a perder força nas pernas. O quadro se agravou com uma sequência de infecções e insuficiência renal. Depois, veio o diagnóstico de síndrome de Guillain-Barré, doença que afeta o sistema nervoso e provoca perda de força muscular. Durante o tratamento, ela precisou passar por traqueostomia e sessões de hemodiálise. A família também recorreu à Justiça para conseguir a transferência para outro hospital. O marido dela, Júlio César Mira Antunes, afirma que a recuperação segue lenta. "Ela só está aqui hoje por causa de Deus mesmo, porque o que ela passou não foi só uma internação assim. Ela reaprendeu a viver, é no tempo dela, mas aos poucos eu acho que a gente consegue chegar", relatou o homem. Produto foi comprado de vizinho Kellen contou que comprou a caneta de um vizinho por meio de conversas em um aplicativo de mensagens. Segundo ela, o produto havia sido trazido do Paraguai. Em mensagens obtidas pela família, o vendedor orientava sobre como fracionar o medicamento. Em outra conversa, afirmou que nenhum dos clientes atendidos por ele havia passado mal. Risco de canetas sem procedência As canetas emagrecedoras ganharam espaço nos últimos anos pelos resultados obtidos no tratamento da obesidade. No entanto, médicos reforçam que os medicamentos devem ser usados apenas com indicação e acompanhamento profissional. Os produtos contrabandeados ou vendidos sem controle sanitário representam um risco adicional, porque não há garantia sobre a origem, o armazenamento ou a composição do medicamento. A endocrinologista Bruna Galvão, do Hospital Felício Rocho, alerta que até os medicamentos regularizados exigem acompanhamento médico. Segundo ela, preços muito abaixo do mercado e ofertas feitas por vendedores informais devem ser vistos como sinais de alerta. Veja os vídeos mais vistos do g1 Minas: