Mulheres denunciam supostos episódios de violência obstétrica após morte em maternidade de MG
Mulheres denunciam supostos episódios de violência obstétrica após morte em maternidade A repercussão da morte de uma mulher de 32 anos por complicações ...
Mulheres denunciam supostos episódios de violência obstétrica após morte em maternidade A repercussão da morte de uma mulher de 32 anos por complicações no pós-parto trouxe à tona relatos de outras pacientes que afirmam ter sofrido possíveis episódios de violência obstétrica na maternidade do Hospital Regional de Varginha (MG). Os casos envolvem denúncias de falta de acolhimento, supostas falhas na assistência e situações que, segundo as mulheres, deixaram traumas profundos. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Uma das pacientes, que preferiu não se identificar, perdeu o bebê de forma espontânea há uma semana, com 12 semanas de gestação. Ela conta que procurou atendimento no hospital e afirma que, ao deixar a unidade, foi informada de que precisaria carregar o feto dentro de uma embalagem plástica. “Foi muito traumático, me dói pensar até hoje porque é um descaso e eu penso que muitas mulheres passam por isso porque por mais que nós não estamos com uma gravidez tão avançada no meu caso, 12 semanas, 3 meses", contou. "Não deixa de ser um filho, não deixa de ser um amor, não deixa de ser um sonho e aí você vê ele ali na sua mão e depois você ter que carregar ele por todo o processo do hospital tal, dentro de uma embalagem transparente, é muito difícil, é um descaso, né? Eu estou muito traumatizada”, relatou. Leia também: Polícia Civil investiga caso de mulher que morreu após complicações no pós-parto em Varginha, MG Hospital Regional abre procedimento interno para apurar morte de paciente após cesariana Mulheres denunciam supostos episódios de violência obstétrica após morte em maternidade de MG Reprodução EPTV Segundo ela, no dia seguinte, recebeu uma ligação da unidade hospitalar com um pedido de desculpas e a informação de que o procedimento teria ocorrido por engano. “Acredito que no dia eu não tive noção da gravidade do que aconteceu, mas com o passar dos dias eu fui sentindo um sentimento de raiva, é raiva e tristeza e angústia. É um descaso. É um descaso com a gente que está lá num momento muito vulnerável, que a gente precisa do apoio ali de quem sabe lidar, de quem está ali, e a gente não tem. É um descaso em todos os momentos”, acrescentou. Morte é investigada pela Polícia Civil A paciente esteve na unidade no mesmo dia em que uma mulher de 32 anos morreu após complicações no pós-parto. O caso é investigado pela Polícia Civil depois que a família registrou um boletim de ocorrência contra o hospital. De acordo com o relato do marido, a mulher passou por uma cesariana e, após o procedimento, reclamou de fortes dores. Ele afirma que a esposa recebeu altas doses de medicamentos, mas continuou se queixando do problema. Três dias depois, recebeu alta e retornou para casa, em Cordislândia. Polícia Civil investiga caso de mulher que morreu após complicações no pós-parto em Varginha Júlia Reis/g1/Redes Sociais Ainda segundo o marido, durante o trajeto ela passou mal e foi levada para um hospital em Monsenhor Paulo, onde exames teriam apontado uma obstrução intestinal. A mulher sofreu uma parada cardíaca e morreu. “É um trauma que a gente carrega para o resto da vida” Outra mãe, que também pediu anonimato, afirma ter sofrido violência obstétrica durante o nascimento da filha, há quase três anos. Ela relata que diversos residentes realizaram exames de toque durante o trabalho de parto e que precisou de acompanhamento psicológico após a experiência. “A gente, que é um momento tão bonito da mulher, momento de ter um filho, e assim, eu sofri muito. E aí eu tive vários toques de, acho que foram oito residentes, eles ficavam todos fazendo toque em mim toda hora. Eu precisei passar com um psicólogo, fiz umas sessões de psicólogo para eu tentar entender o que estava acontecendo. Só que é um trauma que a gente carrega pro resto da vida, porque graças a Deus eu e ela estamos vivas, mas tem gente que não sai de lá viva”, disse. Mulheres denunciam supostos episódios de violência obstétrica após morte em maternidade de MG Reprodução EPTV A estudante Alexia Efigênio também relata ter passado por uma experiência traumática na maternidade da unidade. Mãe de Ana Júlia, hoje com cinco meses, ela afirma que foi submetida a um trabalho de parto prolongado sem receber medicação para alívio da dor. “Eles me forçaram muito, forçaram no último, no último, no último. Eu sentindo muita dor, ele falava para eles dar remédio na veia, eles não me deram remédio. Eu sentia muita dor, comecei a ficar fraca, fraca, fraca e eles forçando eu a ter o parto da menina, sabe? Fiquei 10 horas de trabalho de parto. E quando ela nasceu, ela nasceu bem roxa, a cabecinha bem pontuda e com trocamento do ombro, do ossinho dela, porque foi bem forçado o parto ali. Então, aí graças a Deus hoje ela tá bem, mas a gente ficou bem preocupado”, contou. O advogado especialista em direito da saúde Túlio Favaro explica que a violência obstétrica pode ser caracterizada não apenas por lesões físicas, mas também por atendimentos considerados inadequados ou pela falta de informações à paciente. “A violência obstétrica é em decorrência de um serviço mal prestado pelo profissional a paciente, no caso a gestante. Quando a gente fala em violência obstétrica, parece que é uma lesão grave, mas não, até um próprio maltratamento ou uma negligência de uma informação, isso caracteriza. A primeira coisa que ela precisa fazer é juntar a documentação. Relatório médico, exames, fotografias, testemunhas, pode registrar um boletim de ocorrência, toda essa documentação é válida”, afirmou. Mulheres denunciam supostos episódios de violência obstétrica após morte em maternidade de MG Reprodução EPTV O que dizem o hospital, CRM e Polícia Civil Procurado pela reportagem, o Hospital Regional de Varginha não se posicionou especificamente sobre as denúncias relacionadas à maternidade. Em nota, informou que todas as denúncias recebidas pelos canais oficiais da unidade são tratadas com seriedade e confidencialidade, sendo encaminhadas aos órgãos internos competentes ou às autoridades responsáveis. O Conselho Regional de Medicina informou que todas as denúncias recebidas, sejam formais ou instauradas de ofício, são apuradas conforme as normas do Código de Processo Ético-Profissional. O órgão destacou ainda que os procedimentos tramitam sob sigilo. Hospital Regional abre procedimento interno para apurar morte de paciente após cesariana Já a Polícia Civil informou que apura os fatos que resultaram na morte de Keyla Ferreira Batista, de 32 anos. 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