Trabalhadores que bebiam água barrenta de rio serão indenizados em R$ 110 mil em MG
Quando trabalhadores se feriam, patrões diziam para jogar sal que iria melhorar e que o trabalho era mais importante MPT/Divulgação Cinco trabalhadores resga...
Quando trabalhadores se feriam, patrões diziam para jogar sal que iria melhorar e que o trabalho era mais importante MPT/Divulgação Cinco trabalhadores resgatados de uma situação análoga à escravidão em uma fazenda de Tiros, no Alto Paranaíba, vão receber R$ 110 mil de indenização cada. Segundo as investigações, os homens, naturais da Bahia, consumiam comida fria no local de serviço e bebiam água barrenta retirada diretamente de um rio. O acordo foi firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT) e os empregadores responsáveis pelos trabalhadores. Os nomes das fazendas não foram informados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Pelo acordo, os cinco produtores rurais responsáveis pelos trabalhadores deverão pagar R$ 1 milhão. Desse total, R$ 550 mil serão destinados à indenização das vítimas, que receberão R$ 110 mil cada. Os pagamentos deverão ser realizados entre junho de 2026 e janeiro de 2027. Os outros R$ 450 mil serão destinados a fundos ou projetos sociais indicados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O pagamento será feito em parcelas até dezembro de 2028. Segundo o Ministério Público do Trabalho, um dos núcleos familiares envolvidos assumiu o pagamento de R$ 600 mil, o equivalente a 60% do valor total do acordo. O outro grupo ficou responsável pelos R$ 400 mil restantes. Com a assinatura do acordo, a inclusão dos nomes dos produtores na chamada "Lista Suja" do trabalho escravo ficará suspensa enquanto todas as obrigações previstas forem cumpridas. Trabalhadores tinham que beber água barrenta de um rio que cortava a propriedade. MPT/Divulgação LEIA TAMBÉM: Fome, 14 horas de trabalho e alojamento de lona: homens em situação análoga à escravidão são resgatados em carvoaria Madalena Gordiano: família que escravizou mulher é condenada a 14 anos de prisão Fazendeiro é denunciado por trabalho análogo à escravidão; trabalhadores comiam milho O crime A investigação começou após a Polícia Militar (PM) encontrar cinco trabalhadores baianos em condições degradantes durante a roçagem de pastagens em uma propriedade rural de Tiros. Segundo a PM, os trabalhadores recebiam R$ 100 por dia, mas os gastos com transporte e alimentação eram descontados dos salários. A comida era preparada pelos próprios funcionários e consumida fria no local de trabalho. O Ministério Público do Trabalho (MPT) também identificou que um dos trabalhadores estava com carrapatos nos pés e que todos utilizavam calçados inadequados para a atividade. Segundo o procurador do Trabalho Rodney Lucas Vieira de Souza, um dos homens relatou que trabalhou usando um tênis furado e que precisaria comprar a própria botina caso quisesse utilizar o equipamento. "Eles trabalhavam sem carteira assinada, todos os dias da semana, e tinham descontados do salário os custos de transporte e alimentação. Comiam comida fria na frente de trabalho e bebiam água barrenta direto de um rio", afirmou. Sem equipamentos adequados, um dos trabalhadores usava um tênis rasgado. MPT/Divulgação Segundo o procurador, os trabalhadores não recebiam assistência adequada. Em um dos casos, um deles sofreu um corte na perna provocado por uma roçadeira, mas teve o atendimento negado pelos empregadores. "Disseram que bastava colocar sal que sarava e que o serviço precisava ser resolvido primeiro", relatou Rodney Lucas Vieira de Souza. Obrigações de fazer e não fazer Além das indenizações, os fazendeiros assumiram o compromisso de cumprir, por prazo indeterminado, mais de 20 medidas voltadas à proteção dos trabalhadores rurais. São elas: Formalização e direitos: Registro imediato em carteira (inclusive na cidade de origem) e proibição total de servidão por dívidas ou venda de insumos/ferramentas aos empregados. Saúde e segurança: Implementação dos programas PGRTR e PCMSO, fornecimento gratuito de EPIs adequados e garantia de remoção médica imediata em caso de acidente, sem custos para a vítima. Condições de vivência: Fornecimento de água potável e fresca, instalação de abrigos contra intempéries nas frentes de trabalho e alojamentos adequados (com camas, colchões certificados, armários individuais e banheiros limpos). O descumprimento de qualquer cláusula do acordo poderá resultar em multa de R$ 5 mil por obrigação violada. ASSISTA: Minas lidera resgate de pessoas em trabalho análogo à escravidão MG lidera resgate de pessoas em trabalho análogo à escravidão VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas